Manejo da dor em comunidade ribeirinhas na Amazônia brasileira
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Autores
Orientador(es)
Coorientador(es)
Souza Filho, Zilmar Augusto de Souza Filho
Membros da banca
Souza, Luís Paulo Souza e
Nogueira, Laura Maria Vidal
Nogueira, Laura Maria Vidal
Pós-Graduação
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Editor
Universidade Federal do Amazonas
Tipo
Direito de acesso
DOI
Resumo
Introdução: medicamentos e plantas medicinais são mundialmente utilizados pelo homem
como estratégias terapêuticas para o alívio ou inibição da dor. Em populações vulneráveis em
áreas remotas, com características singulares (socioeconômicas, culturais, geográficas e
ambientais) como populações ribeirinhas da Amazônia Brasileira, o fenômeno carece de
informações. Objetivo: avaliar as estratégias de manejo da dor em comunidades ribeirinhas na
Amazônia Brasileira. Método: estudo transversal de base populacional, parte da pesquisa
“Saúde, Medicamentos e Automedicação em Ribeirinhos do Amazonas - SAMARA”,
desenvolvido no ano de 2015, em 24 comunidades ribeirinhas de Coari, Amazonas – Brasil (n=
492). As variáveis utilizadas neste estudo de manejo da dor foram informações
sociodemográficas, acesso aos serviços de saúde, consumo de álcool, hábitos tabagistas,
enfermidades autorrelatadas e consumo de medicamentos dos 246 participantes que
informaram ter realizado o manejo da dor (manejo da dor exclusivo com medicamentos (n=180)
+ exclusivo com plantas medicinais (n=28) + misto (n=38) com medicamentos e plantas). A
variável dependente foi avaliada pelo uso de, pelo menos, um medicamento (exclusivo com
medicamentos + misto) ou planta medicinal (exclusivo com plantas medicinais + misto)
consumido para o manejo da dor nos últimos 30 dias antecedentes a entrevista. Os dados foram
analisados com base na estatística descritiva e inferencial. Resultados: Dos 246 ribeirinhos que
realizaram o manejo da dor, a prevalência de consumo de medicamentos para o manejo da dor
foi de 88,6% (n=218) entre participantes. A substância química mais consumida foi a dipirona
(28,1%). A maioria dos medicamentos utilizados ocorreu por iniciativa própria (64,1%), foram
adquiridos nas farmácias (84,4%) e usados para trata a cefaleia (58,5%). As variáveis “ser
alfabetizado” (OR: 2,632; IC 95%: 1,066-6,501) e “ter renda familiar acima de 1 salário
mínimo” (OR: 3,098; IC 95%: 1.303-7,368) permaneceram independentemente
associadas a prática de manejo da dor com medicamentos na regressão logística. O manejo da
dor com plantas medicinais, prevaleceu em 26,8% (n=66) dos ribeirinhos. A planta medicinal
mais consumida como remédio caseiro para o manejo da dor foi a casca do fruto da laranjeira
(Citrus sinensis (L.) Osbeck) (21,6%). Dentre todas as plantas medicinais consumidas,
prevaleceu o uso de cascas (63,6%) e a preparação em chá (96,6%). O conhecimento do uso foi
adquirido principalmente por familiares (74,2%) e o problema álgico que mais levou ao manejo
da dor com plantas medicinais foram as dores abdominais (70,5%). Na regressão logística a
variável faixa etária entre 18 a 49 anos (OR: 2,154; IC 95%: 1,109-4,186) permaneceu
independentemente associada a prática de manejo da dor com plantas medicinais. Conclusão:
As populações ribeirinhas do Amazonas costumam utilizar com frequência medicamentos para
o manejo da dor, evidenciando a necessidade de orientações quanto a promoção do uso racional
dos medicamentos e a possibilidade de ocorrência de mascaramento de doenças no contexto
ribeirinho. Embora o consumo de plantas medicinais para o manejo da dor tenha ocorrido em
menor proporção em relação aos medicamentos, se for considerado a isenção de custos e
acessibilidade a população, as plantas medicinais tornam-se uma alternativa terapêutica
importante nas comunidades ribeirinhas, necessitando de maiores investigações sobre seu uso
e potencialidades analgésicas.
Abstract
Introduction: medications and medicinal plants are used worldwide by man as therapeutic
strategies for pain relief or inhibition. In vulnerable populations in remote areas, with unique
characteristics (socioeconomic, cultural, geographical and environmental) such as riverside
populations in the Brazilian Amazon, the phenomenon lacks information. Objective: to
evaluate pain management strategies in riverside communities in the Brazilian Amazon.
Method: population-based cross-sectional study, part of the research "Health, Medications and
Self-Medication in Amazon Riverside (SAMARA)", developed in 2015, in 24 riverside
communities of Coari, Amazonas - Brazil (n= 492). The variables used in this study were
sociodemographic, access to health services, alcohol consumption, smoking habits, selfreported diseases and medication consumption of the 246 participants who reported having
carried out pain management (exclusive pain management with medications (n=180) +
exclusive with medicinal plants (n=28) + mixed (n=38) with medications and plants). The
dependent variable was evaluated by the use of at least one medication (exclusive with
medications + mixed) or medicinal plant (exclusive with medicinal plants + mixed) consumed
for pain management in the last 30 days preceding the interview. Data were analyzed based on
descriptive and inferential statistics. The SAMARA research, which this study originated, is
approved by the Research Ethics Committee of the School of Nursing of the University of São
Paulo and registered with CAAE nº. 33560914.0.0000.5392. Results: Of the 246 riverside who
executed pain management, the prevalence of pain management medications consumption was
88,6% (n=2019) among participants. The most consumed chemical substance was dipyrone
(28,1%). Most of the medications used occurred on their own initiative (64,1%), were
purchased in pharmacies (84,4%) and used to treat headache (58,5%). The variables "being
literate" (OR: 2,632; CI 95%: 1,066-6,501) and "have family income above 1 minimum wage"
(OR: 3,098; CI 95%: 1,303-7,368) remained independently associated with pain management
practice with medications in logistic regression. The pain management with medicinal plants,
it is prevailed in 26,8% (n=66) of the riverside. The most consumed medicinal plant as a home
remedy for pain management was the bark of the orange tree fruit (Citrus sinensis (L.) Osbeck)
(21,6%). Among all medicinal plants consumed, the use prevailed of barks (63,6%) and tea
preparation (96,6%). Knowledge of the use was acquired mainly by family members (74,2%)
and the pain problem that most led to pain management with medicinal plants was abdominal
pain (70.5%). In logistic regression, only the variable age group between 18 and 49 years (OR:
2,154; 95% CI: 1,109-4,186) remained independently associated with pain management
practice with medicinal plants. Conclusion: The riverside populations of the Amazon often use
medications for pain management, evidencing the need for guidance on promoting the rational
use of medications and the possibility of disease masking in the riverside context. Although the
consumption of medicinal plants for pain management has occurred to a lesser extent in relation
to medications, if we consider the exemption of costs, accessibility to the population, medicinal
plants become an important therapeutic alternative in the communities of riverside, needing
more research on its use and analgesic potential.
Descrição
Palavras-chave
Termo controlado
Estratégias terapêuticas; População ribeirinha; Potencialidade analgésica; Casca de laranjeira; Medicamentos naturais
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Citação
LIMA, Paula Andreza Viana. Manejo da dor em comunidade ribeirinhas na Amazônia brasileira. 2021. 79 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2021.
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